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O que é regulação (e por que o brinquedo certo ajuda)

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Regulação é uma palavra que aparece em toda conversa sobre autismo, quase sempre sem explicação. Vale desmontar ela.

Regulação não é ficar quieto

Regulação é o corpo encontrar um estado em que dá para participar do que está acontecendo.

Às vezes isso significa desacelerar. Às vezes significa o contrário: uma criança apagada, sem energia, também está fora do ponto. Regular é subir ou descer até um lugar onde é possível prestar atenção, brincar, conversar, esperar.

Ou seja, criança regulada não é criança parada. É criança disponível.

Ninguém regula sozinho no começo

Adultos usam mil estratégias sem pensar. Você levanta da mesa para tomar água quando a reunião aperta. Você mexe na caneta. Você sai para caminhar. Você respira fundo antes de responder um e-mail difícil.

Crianças ainda estão construindo esse repertório, e constroem junto com alguém. Isso tem nome: primeiro a regulação acontece com apoio de outra pessoa, depois vira algo que a criança faz por conta.

O caminho mais curto para isso é ter um adulto perto que não entra em pânico. Sua calma não é frescura, é ferramenta.

Como fica quando está indo bem, e quando não está

Cada criança tem sinais próprios. Muita gente reconhece esses:

Subindo demais: fala mais alto, corre em círculos, esbarra, ri sem parar, não escuta, fica com o corpo tenso.

Descendo demais: deita no sofá no meio da festa, para de responder, olha longe, fica pesada, quer o escuro.

No ponto: brinca, olha, aceita mudança pequena, aceita companhia.

Vale prestar atenção nos sinais que vêm antes, não nos do meio da crise. Quase sempre existe uma janela de dois ou três minutos em que ainda é fácil ajudar.

Onde o brinquedo entra

Um brinquedo não regula ninguém. O que ele faz é oferecer, de forma previsível, o tipo de estímulo que aquele corpo está procurando.

Pressão e força. Apertar, torcer, amassar. Dá informação profunda ao corpo, que é o que mais organiza a maioria das crianças. Peças articuladas que resistem um pouco ao movimento fazem isso bem.

Movimento repetido nas mãos. Girar, encaixar, deslizar. Ocupa as mãos e libera a cabeça. É o mesmo motivo pelo qual muito adulto gira a aliança no dedo.

Previsibilidade. O brinquedo faz sempre a mesma coisa. Depois de um dia inteiro de surpresas, isso é um alívio enorme.

Foco em uma coisa só. Um objeto na mão reduz o campo. O mundo fica do tamanho da peça.

Por isso o brinquedo certo não é o mais bonito nem o mais elaborado. É o que combina com o que aquele corpo procura hoje.

Como oferecer sem transformar em tarefa

Deixe por perto antes de precisar. A hora de apresentar não é no meio da crise, quando nada novo entra. É num momento tranquilo, sem expectativa.

Ofereça e solte. "Tá aqui, se você quiser." Se hoje não rolar, tudo bem. Amanhã o brinquedo ainda vai estar lá.

Aceite o uso torto. Se ela usa a Estrela Sense para bater ritmo na mesa em vez de girar as pontas, ela achou o que precisava. O uso certo é o que funciona.

Deixe repetir. Repetição não é falta de imaginação. É o corpo se organizando.

E não peça relatório. Não pergunte se acalmou, não peça para explicar. A brincadeira não precisa provar nada.

Uma coisa que costuma tirar um peso

Você não vai acertar sempre. Vai ter dia em que o fone incomoda, em que o canto tranquilo está ocupado, em que a crise vem antes de você perceber a janela.

Isso não apaga o resto. As vezes em que deu certo continuam contando. Tentar já é o trabalho.

Este texto é uma leitura geral e não substitui a orientação de quem acompanha vocês de perto e conhece a história da sua família.

Para levar

  • Regular é chegar a um estado em que dá para participar, e às vezes isso é acelerar, não desacelerar.
  • A criança aprende a regular junto com um adulto calmo antes de fazer sozinha.
  • O brinquedo não resolve, ele oferece de forma previsível o que o corpo está procurando.
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